Trazer o Bidu, a Mimi ou o Fred junto pra Netherlands parece uma missão impossível quando você começa a pesquisar: microchip, exame de sangue, certificado internacional, prazos que não perdoam... Respira. Milhares de famílias brasileiras já atravessaram o oceano com seus bichos, e você também vai conseguir. Este guia junta o processo inteiro, na ordem certa, sem juridiquês, focado em quem vem do Brasil, com uma seção à parte pra quem vem de outro lugar.
Tem que ser um microchip ISO 11784/11785, aplicado numa clínica veterinária. Ele precisa vir ANTES da vacina antirrábica. Se for feito depois, a vacina não conta e você terá que repetir tudo.
Aplicada depois do chip (no mesmo dia já vale, desde que o chip seja escaneado antes da agulha entrar). Guarde o comprovante com o número do chip, a data e o lote da vacina.
Pelo menos 30 dias após a vacina, um veterinário colhe sangue e envia a um laboratório aprovado pela UE. O resultado precisa mostrar ≥0,5 UI/ml de anticorpos.
A contagem começa na DATA DA COLETA do sangue, não na data do resultado. É a etapa que mais gente esquece de planejar, então já reserve esse tempo no calendário.
Emitido por um veterinário oficial credenciado (MAPA) em até 10 dias antes do embarque, obrigatoriamente em inglês ou holandês (nunca só em português). Ele resume todo o histórico acima e é o documento que a fiscalização confere na chegada.
Reserve o transporte do pet com antecedência (cabine, bagagem ou cargo, veja abaixo), leve os documentos originais impressos e chegue com tempo de sobra em Schiphol.
Atenção: o Certificado Sanitário Internacional precisa ser emitido em inglês ou em holandês, nunca só em português. É esse documento que a fiscalização holandesa confere na chegada, então peça ao veterinário para já emitir no idioma certo.
Valores aproximados de 2026. Sempre confirme direto com o laboratório, o veterinário e a companhia aérea antes de fechar a viagem.
Só para pets bem pequenos (geralmente até 8 kg com a caixa), e a maioria das companhias NÃO aceita isso em voos longos como Brasil–Europa. Confirme direto com a companhia antes de contar com essa opção.
A opção mais comum: seu pet viaja no porão climatizado do mesmo avião que você, numa caixa aprovada pela IATA, e chega junto com você.
Obrigatório para pets grandes ou quando a companhia não aceita bagagem-pet na rota. Um despachante cuida da logística e o pet é retirado num terminal de importação separado.
Fique de olho: a maioria das companhias suspende o transporte de pets no porão quando a temperatura de qualquer aeroporto da rota passa de ~27–30°C (o chamado “embargo de calor”, comum no verão brasileiro), e muitas recusam raças braquicefálicas (buldogue, pug, boxer, persa...) pelo risco respiratório.
A reserva do pet quase nunca é feita pelo site: a maioria exige telefone, e-mail ou um departamento de cargo/pet especializado. As vagas por voo são limitadas, geralmente só 2 a 4 animais por avião.
Peso do animal, raça, e as dimensões exatas da caixa de transporte: ela precisa deixá-lo em pé, virar e deitar confortavelmente.
Um e-mail com o valor cobrado, o peso máximo aceito e as regras da caixa evita surpresa no check-in.
O check-in de pets costuma ser num balcão separado e pode demorar mais que o seu. Chegue pelo menos 3 horas antes.
Faixas de preço só de referência (2026), variam por peso, tamanho da caixa, época do ano e disponibilidade. Confirme sempre no site oficial da companhia antes de comprar sua passagem.
O processo muda bastante dependendo de onde você embarca. Quem vem de dentro da União Europeia praticamente não tem burocracia; quem vem de um país “listado” (como EUA, Canadá ou Reino Unido) pula o exame de sangue. O Brasil está entre os países “não listados”, por isso o caminho é mais longo.
A lista oficial de países muda de vez em quando. Confirme o status atual do seu país de origem no site da Comissão Europeia antes de começar o processo.
Retire seu pet no balcão de bagagens especiais/animais, perto da esteira normal de malas.
Vá ao terminal de importação de carga (fora do terminal de passageiros) com os documentos originais impressos. Reserve tempo extra: pode levar algumas horas.
A NVWA (fiscalização holandesa) pode conferir seus documentos na chegada. Leve tudo impresso, não confie só no celular.
Essas fotos são da nossa própria mudança pra Netherlands com nosso cachorro: da estrada até São Paulo para pegar o voo internacional, até a chegada em Schiphol com os documentos aprovados na mão. Foi tenso em alguns momentos, mas valeu cada etapa.
E a foto lá no topo deste guia? Somos nós hoje, já instalados em Netherlands, num passeio qualquer pela vizinhança.
Tenha uma garrafa de água em mãos para oferecer água ao seu cão assim que você o pegar. A companhia aérea não fornece água para os animais durante o transporte.
Acostume seu pet com a caixa de transporte semanas antes: deixe ela em casa, com a porta aberta e petiscos dentro.
Prefira voos diretos ou com poucas conexões: cada troca de avião é mais uma chance de estresse (ou erro).
Evite reservar no auge do verão brasileiro (risco de embargo de calor) e em datas muito próximas de feriados.
Depois de chegar, cadastre o chip na NDG (Nederlandse Databank Gezelschapsdieren) e veja se seu município cobra hondenbelasting (imposto sobre cães), que varia de cidade pra cidade.
Procure um veterinário perto de casa nas primeiras semanas, mesmo que o pet esteja bem: é bom já ter um de confiança.
As regras de importação de animais mudam com frequência e podem variar por companhia aérea. Este guia é um ponto de partida, não aconselhamento jurídico ou veterinário. Confirme sempre as exigências atuais com um veterinário credenciado (MAPA), a NVWA (nvwa.nl) e a companhia aérea antes de fechar sua viagem.